Os ambientes de infraestrutura crítica carregam a lacuna padrão de credenciais corporativas — além de riscos operacionais que não existem em nenhum outro lugar.
01 — Operacional
Acesso remoto de fornecedores e contratados
Engenheiros terceirizados se conectam às redes de OT via VPN ou área de trabalho remota, usando credenciais que a organização operadora não gerou e não consegue revogar instantaneamente. 82% dos ataques ciberfísicos usam essa camada de acesso remoto como vetor de entrada. A rotatividade de funcionários do fornecedor é uma exposição não controlada para o operador.
Quando a relação termina, com que rapidez você consegue revogar o acesso ao seu ambiente SCADA? Se a resposta envolve um chamado, você tem uma lacuna.
02 — Operacional
Credenciais de operador compartilhadas
Muitos ambientes de OT usam contas de login compartilhadas para sistemas de controle — uma arquitetura legada herdada de uma época anterior à existência de autenticação multiusuário nessas plataformas. Credenciais compartilhadas significam nenhuma atribuição individual, nenhuma trilha de auditoria e nenhuma capacidade de revogar o acesso de uma pessoa sem afetar toda a equipe.
Uma investigação forense sobre um incidente em Oldsmar foi complicada pelas credenciais compartilhadas. Não havia como saber quem estava conectado.
03 — Segurança
Comprometimento de credenciais atingindo processos físicos
Diferentemente de uma violação de TI, um comprometimento de credencial que atinge a camada de OT pode desencadear consequências físicas — válvulas se abrem, disjuntores disparam, parâmetros de processo mudam. O tempo entre o roubo da credencial e o impacto operacional em ambientes de OT é medido em horas. A detecção acontece depois do dano físico.
A credencial é o acesso ao processo. Controlar a credencial é a primeira linha de defesa da segurança física.
04 — Regulatório
Requisitos de evidência da NIS2 e do CAF B2
O Artigo 21 da NIS2 exige que operadores de serviços essenciais demonstrem governança de controle de acesso. O Princípio B2 do CAF da NCSC exige que as organizações gerenciem e mantenham rigorosamente a identidade e o controle de acesso de todos os usuários — incluindo sistemas automatizados. Documentos de política não satisfazem isso. Registros contínuos de credenciais com carimbo de data e hora satisfazem.
A responsabilidade pessoal prevista na NIS2 para a alta gestão nomeada se aplica a operadores de infraestrutura crítica que não conseguem demonstrar controle de acesso estrutural.
05 — Cadeia de suprimentos
Acesso da cadeia de suprimentos de software e manutenção
Fornecedores de sistemas de OT — Siemens, Rockwell, Schneider, GE — rotineiramente exigem acesso remoto para atualizações, manutenção e monitoramento. O caso SolarWinds demonstrou que as credenciais de build do fornecedor são o ponto de entrada de maior risco nas cadeias de suprimentos corporativas. Em OT, o acesso do fornecedor atinge diretamente os sistemas de controle de processo.
Todo fornecedor com acesso remoto ao seu ambiente de OT carrega credenciais que ele próprio criou, não você. Você não pode revogar o que não é seu.
06 — Emergente
Credenciais de agentes de IA e automação
Implantações de IA industrial — manutenção preditiva, otimização automatizada de processos, detecção de anomalias — estão introduzindo identidades não humanas em ambientes de OT em grande escala. Cada agente de IA possui credenciais para os sistemas que monitora e controla. Essas credenciais são criadas pela equipe de desenvolvimento, não pela equipe de segurança operacional.
A proporção de 82 agentes de IA para cada humano em ambientes corporativos está chegando à infraestrutura crítica. Sem governança de credenciais, cada implantação de IA é um novo caminho de acesso não governado.